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Especialistas avaliam situação do país após seis meses de pandemia

O pesquisador Guilherme Werneck, do Instituto de Sa√ļde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destacou que a pandemia de covid-19 √© "o maior desafio da nossa gera√ß√£o"

Por Super - Rádio e Notícia em 12/09/2020 às 10:37:55

O pesquisador Guilherme Werneck, do Instituto de Sa√ļde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destacou que a pandemia de covid-19 é "o maior desafio da nossa gera√ß√£o", por motivos como o r√°pido espalhamento do v√≠rus, a taxa de letalidade relativamente alta, a falta de vacina e de conhecimento sobre tratamentos eficazes, a inefici√™ncia inicial dos testes diagnósticos e também a falta de suprimentos médicos e de equipamentos de prote√ß√£o individual.

Apesar de tudo isso, ele afirma que uma pandemia desse nível não foi uma surpresa para os epidemiologistas, que deram vários alertas nesse sentido https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-09/especialistas-alertam-para-risco-de-pandemias-globais).

"Estava claro para todos que trabalham com doen√ßa infecciosa que uma pandemia por um patógeno desconhecido era uma quest√£o de tempo. Ent√£o a prepara√ß√£o para esta situa√ß√£o era obviamente necess√°ria no mundo inteiro".

Para ele, o Brasil tinha condi√ß√Ķes de ter se preparado melhor, após o aprendizado tido com a epidemia de influenza de 2009, o desenvolvimento do Infogripe, o reconhecimento internacional pelos sistemas de informa√ß√£o de qualidade e alta cobertura, a quantidade de pesquisa cient√≠fica b√°sica e aplicada, além do sistema de vigil√Ęncia epidemiológica inserido no Sistema √önico de Sa√ļde, com capacidade de resposta epidemiológica e assistencial para uma pandemia.

"É de certa forma constrangedor que nós tenhamos chegado numa situa√ß√£o em que existia uma ideia de como essa resposta deveria ser dada, que o pa√≠s tenha enfrentado essa pandemia de uma forma n√£o t√£o ideal como poderia".

De acordo com Werneck, os esfor√ßos deveriam ter sido também no sentido de limitar a expans√£o da epidemia no território, salvar vidas, garantir prote√ß√£o e seguran√ßa para os setores econômicos e sociais mais vulner√°veis, além de se preparar para o futuro. O pesquisador destaca também como equ√≠vocos a √™nfase na aten√ß√£o hospitalar e na necessidade de testagem. Para ele, a resposta brasileira falhou na maior parte dessas fases.

"As estratégias de conten√ß√£o foram insuficientes, como foram em muitos pa√≠ses. As estratégias de mitiga√ß√£o, depois que a transmiss√£o sustentada comunit√°ria aconteceu, também foram insuficientes".

Pelo lado positivo, Werneck lembra do trabalho engajado da comunidade cient√≠fica brasileira, que articulou v√°rias institui√ß√Ķes nas a√ß√Ķes de enfrentamento.

Para o pesquisador, o n√ļmero atual de óbitos por dia no pa√≠s por covid-19, na faixa de 800, est√° em um n√≠vel "inadmiss√≠vel" para se fazer o relaxamento das medidas n√£o farmacológicas e que é cedo para se falar em reabertura das escolas.

O pesquisador Thomas Mellan, do Imperial College London, afirmou que os dados do Brasil, principalmente os do Sivep-Gripe, auxiliaram os cientistas estrangeiros a melhorarem a an√°lise dos dados mundiais.

"É uma ferramenta incr√≠vel, vem do SUS brasileiro, e essencialmente registra os casos respiratórios numa popula√ß√£o de mais de 200 milh√Ķes de pessoas. No trabalho inicial todo mundo tentava analisar os dados da China, com um n√ļmero muito pequeno de pontos de dados. Temos diferen√ßas entre a China a Europa e o Brasil. Utilizando os dados brasileiros, conseguimos reajustar essa distribui√ß√£o, utilizando muito mais dados".

De acordo com ele, entre as contribui√ß√Ķes dos dados brasileiros est√° a mudan√ßa de entendimento sobre o tempo entre o surgimento dos sintomas até o óbito do paciente, que com os dados chineses era considerado 18 dias e passou para entre 15 a 16 dias.

Fachada do Ministério da Sa√ļde na Esplanada dos Ministérios

Ministério da Sa√ļde informou que atua "permanentemente para preven√ß√£o de doen√ßas" - Marcello Casal JrAg√™ncia Brasil

Ministério da Sa√ļde

Procurado, o Ministério da Sa√ļde informou que atua "permanentemente para preven√ß√£o de doen√ßas" no pa√≠s, com "pesquisas, medidas preventivas, campanhas de vacina√ß√£o, tratamentos especializados" para "evitar a dissemina√ß√£o ou qualquer outro efeito na sa√ļde da popula√ß√£o". Até o momento, foram empenhados R$ 31,9 bilh√Ķes para a√ß√Ķes exclusivas de enfrentamento à pandemia, além de R$ 83,9 bilh√Ķes em repasses para os estados e munic√≠pio.

"A pandemia da Covid-19 foi prontamente abordada pela pasta logo que surgiram os primeiros sinais do surto da doen√ßa no mundo. Desde o in√≠cio, foram disponibilizados apoio irrestrito aos estados e munic√≠pios na compra e entrega de ventiladores pulmonares, equipamentos de prote√ß√£o individual (EPI), medicamentos, além da habilita√ß√£o de leitos de UTI e o envio de profissionais de sa√ļde para apoiar os atendimentos", informa o ministério.

Em nota enviada à Ag√™ncia Brasil, a pasta afirma também que implementou Centros Comunit√°rios nas √°reas de maior vulnerabilidade social, como comunidades e favelas.

"O Ministério também direcionou equipes multidisciplinares de sa√ļde ind√≠gena para intensificar a distribui√ß√£o de suprimentos, insumos, testes r√°pidos e equipamentos de prote√ß√£o individual aos 34 Distritos Sanit√°rios Especiais Ind√≠genas (DSEIs). Para oferecer atendimento r√°pido em situa√ß√Ķes de emerg√™ncia também foi autorizado a contrata√ß√£o de Equipes de Resposta R√°pida (ERR) para atuar em cada DSEI".

O Ministério afirma, ainda, que tem acompanhado mais de 200 estudos "que buscam a identifica√ß√£o de uma vacina eficaz, segura e em quantidade suficiente para imunizar os brasileiros".

Fonte: Agência Brasil

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