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Covid-19: UFRJ desenvolve teste sorológico 20 vezes mais barato

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desenvolveram um teste sorológico para covid-19 que custa cerca de 20 vezes menos que os testes rápidos

Por Super - Rádio e Notícia em 06/09/2020 às 10:56:31

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desenvolveram um teste sorológico para covid-19 que custa cerca de 20 vezes menos que os testes r√°pidos dispon√≠veis em farm√°cias do Brasil. A metodologia, chamada de S-UFRJ, é resultado de uma parceria entre o Instituto de Biof√≠sica e o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-gradua√ß√£o e Pesquisa de Engenharia (Coppe).

O teste sorológico da UFRJ consegue captar anticorpos IgG (de longa dura√ß√£o) produzidos pelo corpo humano com precis√£o que chega a 100% após 20 dias do in√≠cio dos sintomas. De acordo com os resultados, o método também é capaz de identificar anticorpos dez dias após os sintomas terem come√ßado, mas a precis√£o cai para 90%.

A redução de custos se deve principalmente ao fato de que, apesar de ser do tipo Elisa (ensaio de imunoabsorção enzimática), o teste pode ser realizado com uma gota de sangue retirada da ponta do dedo. Uma das coordenadoras da pesquisa, a professora da Coppe Leda Castilho explica que esse modelo de coleta de amostras custa bem menos que extrair o sangue de uma veia do braço com uma seringa.

"Para tirar sangue da veia, voc√™ precisa ter uma estrutura laboratorial, operadores treinados da √°rea da sa√ļde e todo o material estéril, como a seringa e o tubo especial. Depois, tem que ter uma estrutura para separar o soro desse sangue", disse. "Nossa metodologia tem a coleta a partir de um furinho na ponta do dedo, e a amostra é embebida em um papel filtro, que, no limite, pode ser um filtro de café", acrescenta.

O custo dos insumos necess√°rios para o teste n√£o passa de R$ 2, quando considerada a sa√ļde p√ļblica e organiza√ß√Ķes n√£o governamentais com isen√ß√Ķes tribut√°rias. Apesar de um pouco maior, o custo baixo também vale para estabelecimentos privados, que conseguir√£o fazer o teste gastando R$ 5, calcularam os pesquisadores.

O objetivo da pesquisa é fazer com o que o teste sorológico seja mais acess√≠vel e também chegue a regi√Ķes com menor estrutura laboratorial, destacou a pesquisadora. Com a realiza√ß√£o desse tipo de testes, é poss√≠vel acompanhar a preval√™ncia sorológica de popula√ß√Ķes mais distantes das capitais e em pa√≠ses de menor renda.

"O que a UFRJ oferece para a sociedade é um teste que pode ser feito na popula√ß√£o ribeirinha do Amazonas, no meio do Cerrado ou no interior do sert√£o nordestino. E um teste que, além da alta confiabilidade e da simplicidade de coleta de amostra e processamento, tem um custo baix√≠ssimo, de pelo menos 20 vezes menos que testes r√°pidos que t√™m sido realizados em farm√°cias e laboratórios do Brasil".

A metodologia para a realiza√ß√£o do teste foi publicada cientificamente para ser replicada por institutos de pesquisa, empresas e governos de todo o mundo. Leda Castilho explica que a op√ß√£o por n√£o patentear e cobrar pela tecnologia faz parte da proposta de tornar o teste mais acess√≠vel. "A gente acha que, num horizonte de pandemia, as plataformas devem ser abertas para qualquer um em qualquer lugar do mundo", disse. Segundo ela, todo o processo de licenciamento também atrasaria a aplica√ß√£o das descobertas no combate à pandemia. "Isso tem sido feito em todas as √°reas e em todo o mundo. N√£o somos só nós que estamos fazendo isso".

Proteína S

O desenvolvimento do teste sorológico é resultado de outro trabalho da UFRJ: a produ√ß√£o em laboratório da prote√≠na S, que forma os pequenos espinhos que o coronav√≠rus utiliza para invadir as células. J√° em fevereiro, a universidade havia iniciado a produ√ß√£o da prote√≠na, e, desde mar√ßo, outras institui√ß√Ķes e empresas brasileiras v√™m se beneficiando dessa produ√ß√£o para outras descobertas. A prote√≠na S produzida na UFRJ foi utilizada, por exemplo, no desenvolvimento do teste r√°pido do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), informa Leda Castilho.

Além da coleta de amostras da ponta do dedo, o baixo custo da produ√ß√£o dessa prote√≠na na universidade é outro fator que contribui para que o teste S-UFRJ seja mais barato.

Para tornar a testagem ainda mais acess√≠vel os pesquisadores trabalham agora em simplificar o processamento da amostra, o que permitiria que os testes realizados em regi√Ķes distantes de laboratórios pudessem ser processados no próprio local da coleta. Enquanto atua nesse próximo passo, a universidade j√° come√ßar√° a implementar o teste desenvolvido em sua testagens internas de trabalhadores.

Fonte: Agência Brasil

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