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Pesquisadores querem usar vacina da p√≥lio no combate à covid-19

Pesquisadores da equipe do Hospital Professor Polydoro Ernani de S√£o Thiago, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), estudam a viabilidade de se usar a vacina contra a poliomielite

Por Super - Rádio e Notícia em 10/06/2020 às 09:42:30

Pesquisadores da equipe do Hospital Professor Polydoro Ernani de S√£o Thiago, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), estudam a viabilidade de se usar a vacina contra poliomielite (mais comumente chamada de paralisia infantil) no combate à covid-19. A expectativa é de que a subst√Ęncia seja usada n√£o como imuniza√ß√£o contra o novo coronav√≠rus, mas no fortalecimento do sistema imunológico, reduzindo as chances de se contrair a infec√ß√£o ou, ao menos, atenuandoos sintomas graves do quadro cl√≠nico.

Em entrevista concedida à Ag√™ncia Brasil, o coordenador da pesquisa, Edison Fedrizzi, explicou que a possibilidade vem sendo estudada em todo o mundo, inclusive pelo Centro de Controle e Preven√ß√£o de Doen√ßas (CDC), dos Estados Unidos.

"O que h√° de pesquisahojeé, justamente, procurando uma vacina que estimule a produ√ß√£o de anticorpos contra a covid-19. O que estamos propondo agora é utilizar alguma dessas vacinas que temos no nosso meio, j√° dispon√≠veis, para estimular essa primeira etapa [de defesa do organismo]. Como n√£o é uma vacina contra o novo coronav√≠rus, n√£o vamos produzir anticorpos contra ele. O que queremos é fazer uma barreira protetora, inicial, para que o indiv√≠duo n√£o desenvolva a infec√ß√£o, caso entre em contato com o v√≠rus. Pensamos que poder√≠amos, também através desse est√≠mulo de defesa, diminuir a gravidade da doen√ßa", detalhou.

Para avaliar se o método é eficaz, o grupo de pesquisadores da UFSC pretende selecionar 300 volunt√°rios, todos trabalhadores da √°rea da sa√ļde. A escolha desse segmento se deve ao fato de que est√£o mais expostos à covid-19 e podem ser beneficiados pelo projeto mais diretamente. Metade deles ir√° receber a vacina oral de poliomielite (VOP) e a outra metade receber√° placebo.

De acordo com o pesquisador, como vacina emergencial, foram consideradas outras duas op√ß√Ķes: a BCG, que protege contra tuberculose, e a de sarampo. Ambas também j√° est√£o sendo testadas por cientistas. "Todas t√™m como caracter√≠stica o microorganismovivo, mas atenuado. Esses tipos de vacina provocam uma resposta imunológica, essa que nós queremos estimular, a inata, muito grande, importante, diferente de outras vacinas, em que temos apenas a prote√≠na ou o microorganismo morto, como a de hepatite, a do HPV", esclareceu Fedrizzi.

"T√≠nhamos essas tr√™s candidatas a essa fun√ß√£o. Vimos algumas discuss√Ķes, principalmente do CDC, do virologista Robert Gallo, falando que a vacina da pólio tem muitas vantagens, porque n√£o seria uma medica√ß√£o injet√°vel, seria via oral, com r√°pida resposta, uma vacina barata, segura e com a qual temos grande chance de termos essa prote√ß√£o", comentou o coordenador, salientando que a vacina espec√≠fica contra o Sars-coV-2, como a que est√° sendo desenvolvidapelo Laboratório de Imunologia do Instituto do Cora√ß√£o (Incor), da Universidade de S√£o Paulo (USP), ainda pode demorar v√°rios meses para ficar pronta.

"O que observamos emoutros pa√≠ses é que a vacina de poliomielite passou a ser incorporada junto com outras, no calend√°rio da crian√ßa, de forma injet√°vel. Ent√£o, perdeu um pouco desse perfil de estimular a imunidade inata que a oral nos d√°. Nós temos uma facilidade enorme em rela√ß√£o a pa√≠ses que j√° trocaram a vacina oral pela injet√°vel: o fato de termos dispon√≠vel a forma oral, produzida pela Bio-Manguinhos [Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos], que é barata e é oferecida noPrograma Nacional de Imuniza√ß√Ķes. E aqui também temos a indica√ß√£o dessa vacina para adultos quando v√£o viajar para algum pa√≠s que tenha a doen√ßa como end√™mica. Ent√£o, pessoas adultas, quando v√£o para esses locais, recebem essa recomenda√ß√£o", acrescentou.

De acordo com o Ministério da Sa√ļde, a poliomielite ainda aparece com alta incid√™ncia no Afeganist√£o, na Nigéria e no Paquist√£o. Desde 1990, o poliov√≠rus selvagem n√£o é identificado no Brasil e, em outubro de 2019, a Organiza√ß√£o Mundial da Sa√ļde (OMS) repercutiu o an√ļncio, feito por umacomiss√£o independente de especialistas, de que o poliov√≠rus selvagem tipo 3 foi erradicado em todo o mundo, de forma que somente o tipo 1 ainda circula.

Segundo Fedrizzi, a equipe tem conseguido apoio para desenvolver o projeto, mas ainda precisa ampliar o aporte de recursos para iniciar as pesquisas. Para que possa seguir com o cronograma desenhado, aguarda retorno doConselho Nacional de Desenvolvimento Cient√≠fico e Tecnológico (CNPq) e do Ministério da Sa√ļde, a quem submeteu a proposta para obten√ß√£o de recursos, e da Comiss√£o Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). Até o momento, os pesquisadores se reuniram com a Funda√ß√£o Oswaldo Cruz (Fiocruz), respons√°vel pela Bio-Manguinhos, e conseguiram verbas da Funda√ß√£o de Amparo à Pesquisa e Inova√ß√£o do Estado de Santa Catarina (Fapesc). Outro requisito cumprido foi a anu√™ncia do comit√™ de ética da UFSC.

O coordenador ainda destacou que, apesar de estarem contando com o indicativo de que a vacina de poliomielite possa ser empregada para esse fim, é preciso entender que n√£o se trata de uma certeza. "Temos bastante evid√™ncias de que isso pode funcionar, mas n√£o podemos dizer que isso vai funcionar", destacou.

"N√£o podemos correr o risco de fazer o que a gente v√™ que est√° acontecendo, que é quando sai na m√≠dia 'olha, tem uma medica√ß√£o que vai ser testada e, possivelmente, tenha uma a√ß√£o contra o coronav√≠rus', e as pessoas acabam indo às farm√°cias e esgotando a medica√ß√£o. Ent√£o, gostaria de que as pessoas tivessem um pouco de calma, porque é um estudo e temos bons argumentos de que possa funcionar. Assim que a gente tiver os resultados, a gente vai divulgar."

Fonte: Agência Brasil

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